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Padre Eurico Caetano entrevistado por formando da EPISJ

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Padre Eurico Caetano entrevistado por formando da EPISJ

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Padre Eurico Décio Farias Jardim Cae­tano, nascido em São José, Ponta Del­gada, a 27 de dezem­bro de 1982 (33 anos). É filho de José Maria Jardim Cae­tano e de Maria da Con­ceição Farias Branco Caetano.

Cresceu e viveu na Vila de Capelas, Ilha de São Miguel onde ini­ciou os seus estu­dos (1º e 2º cic­los). Nestes primeiros anos, ini­ciou um dis­cern­i­mento voca­cional, ainda incon­sciente, na sua infân­cia, na Casa de Tra­balho, com as Irmãs Ser­vas da Sagrada Família, e depois como acól­ito. Mas, é a par­tir dos 12 anos que está no cam­inho de descoberta voca­cional. Cam­inho esse que vem das brin­cadeiras de infân­cia e que ao longo do seu amadurec­i­mento tem altos e baixos. Esteve no sem­i­nário menor de Ponta Del­gada dois anos, pois entre­tanto fechou o sem­i­nário, tendo prosseguido até ao 12º ano no Liceu Antero de Quental.

Ter­mi­na­dos os estu­dos, Básico e Secundário, ingres­sou no Sem­i­nário Epis­co­pal de Angra onde per­maneceu pouco mais de um ano, tendo desis­tido por dúvi­das vocacionais.

Neste tempo, o Sen­hor foi tra­bal­hando… foi chamando até que era impos­sível não respon­der de novo. E nessa altura regressa à cam­in­hada mas para outra diocese.

Fez os seus estu­dos no Insti­tuto Supe­rior de Teolo­gia de Évora em con­junto com sem­i­nar­is­tas de Évora, Beja e Algarve, bem como das dio­ce­ses de Min­delo e Cabo Verde.

Ter­mi­nou os estu­dos em 2010 na Uni­ver­si­dade Católica Por­tuguesa, defend­endo a tese de Mestrado sob o tema “A Releitura Cristológ­ica da Escrit­ura segundo o Quarto Evangelho”.

Nesse mesmo ano regressa à Dio­cese de Angra onde é colo­cado como Pro­fes­sor de Edu­cação Moral e Reli­giosa Católica na Escola Básica e Secundária do Nordeste e fica a aux­il­iar na Paróquia de Capelas nas ativi­dades pas­torais, em estre­ita colab­o­ração com o Pároco. Fin­dos dois anos, em diál­ogo com o Bispo Dioce­sano e vendo a neces­si­dade de out­ras exper­iên­cias pas­torais, é colo­cado na Escola Básica de Rabo de Peixe e a aux­il­iar nas 5 Paróquias que com­põem a cidade da Ribeira Grande, aux­il­iando, tam­bém, nas ativi­dades de ouvi­do­ria. É nesta altura, a 9 de agosto de 2014, na Matriz de Nossa Sen­hora da Estrela que é orde­nado Diá­cono, paróquia onde exer­cia o seu min­istério de acól­ito e onde desen­volvia ativi­dades pastorais.

A 1 de setem­bro de 2014 foi colo­cado na Ilha das Flo­res, como aux­il­iar dos Páro­cos “in solidum” e tam­bém como docente de Edu­cação Moral e Reli­giosa Católica na Escola Básica e Secundária das Flores.

Foi Orde­nado Pres­bítero a 11 de abril de 2015 na Paróquia de Capelas e é Pároco “in solidum” na Ilha das Flores.

O seu tra­balho é o que esper­ava? Sim /​Não Porquê?

Sim. Escolhi uma vida de doação. Escolhi dar a minha vida em prol de um bem maior. De facto o mundo em que vive­mos sofreu muitas alter­ações, o que implica para mim novos desafios. E eu gosto de desafios. Por isso sim… é o que eu esper­ava. Além de Padre, deste cuidado próx­imo com as pes­soas, sou pro­fes­sor de E.M.R.C. o que me dá ale­gria pelo tra­balho que posso desen­volver junto dos mais novos. Assim, con­sigo chegar a todos e estar para todos.

Já duvi­dou alguma vez da sua vocação?

Espero que não leve a mal, mas já sabe como eu sou!

Já… de tal maneira que saí do sem­i­nário. Mas Deus chama sem­pre. Ele é per­sis­tente. Por vezes quer­e­mos sobre­por a nossa von­tade à Dele e desviamo-​nos do cam­inho. Há sem­pre dúvi­das, incertezas e, às vezes, até inse­gu­ranças… Mas a vida é feita destes altos e baixos. O que importa é saber sair da dúvida, procu­rar a nossa feli­ci­dade. E eu sou feliz porque soube recon­hecer que era, de facto, por aqui o meu caminho.

Qual foi a fase mais com­pli­cada da sua vida?

A fase mais com­pli­cada foi aquando da morte do meu pai. Altura em que achei que iria parar com os estu­dos para aju­dar em casa. Mas minha mãe não per­mi­tiu e quis que todos estudássemos.

Quais são as lem­branças que guarda da sua vida estudantil?

As amizades… Cos­tumo dizer que o mel­hor tempo que temos é o de estu­dante, pois a nossa única pre­ocu­pação é estu­dar. Depois vêm as com­pli­cações, as fat­uras para pagar… Mas tenho saudades do meu tempo de estu­dante… uma vida feliz e despreocupada.

Quais são os seus gos­tos lúdicos?

Pre­firo a natureza, a leitura, cin­ema, música e estar com os amigos.

O que mais detesta na vida?

O que mais detesto na vida é vio­lên­cia, arrogân­cia e prepotência.

O que gosta de fazer nos seus tem­pos livres?

Des­cansar (risos). Gosto de passear na natureza quando o tempo per­mite… mas acima de tudo ler e ver um bom filme. Se coin­cide com tempo livre dos ami­gos, estar com eles é uma boa opção.

Será que podia falar um pouco sobre o auxílio dos Páro­cos “in solidum”?

Vim para as flo­res como Diá­cono. Ora um Diá­cono não faz tudo o que é próprio dos Padres. Por isso a minha função, além das aulas, era aju­dar os Padres nas 10 Paróquias e 2 Curatos que lhes estavam con­fi­a­dos. Aju­dava em tudo. Desde a cate­quese, acól­i­tos, leitores, retiros, cel­e­brações da Palavra, entre muitas out­ras coisas.

Em relação à sua orde­nação como pres­bítero, pode-​me falar um pouco dela?

A minha orde­nação acon­te­ceu depois de um tempo de for­mação e amadurec­i­mento. Foi um momento forte. É, de facto, o momento por que esper­amos ao longo de seis anos de curso. No momento em que nos pros­tramos no chão sen­ti­mos que nos despren­demos de tudo o que é deste mundo… sen­ti­mos que pas­samos a ser total­mente out­ros, sen­ti­mos que somos de Deus para uma causa de Amor. Foi um momento muito vivido, por mim, pela minha família e por muitos e muitas que se jun­taram a mim nesse dia. Estava muito feliz. E essa feli­ci­dade ainda existe.

Apela aos jovens para entrarem no sacerdócio?

Procuro acima de tudo pedir-​lhes que sejam jovens con­scientes e com­pro­meti­dos. Que saibam pau­tar a sua vida por val­ores; que des­cubram o ver­dadeiro sen­tido das suas vidas, o que os torna ver­dadeira­mente felizes. Mas sim… às vezes lanço a rede, provoco. Pois é pre­ciso desafiar, fazer pen­sar. No entanto, julgo que o maior apelo será o exem­plo de vida. Foi assim comigo. Será assim com muitos.

O que o motivou a seguir teologia?

A Teolo­gia é o estudo das coisas acerca de Deus, da Igreja, da Religião. O curso de Teolo­gia é o curso próprio de quem quer ser Padre. Por isso, não foi pro­pri­a­mente uma moti­vação, mas sim a neces­si­dade na minha for­mação. É um curso longo que podemos dividir em filosofia e lín­guas – latim, grego e hebraico — (2 anos); teolo­gia (3 anos) e pas­toral (1 ano). Ape­sar desta divisão é um todo har­mónico, pois pre­cisamos da filosofia para enten­der a teolo­gia que nos leva à prática (pastoral).

Qual o seu impacto na sociedade? Con­sid­era que, por vezes, con­segue “fazer a diferença”?

Os Padres ainda são escu­ta­dos. Mas do ouvir ao fazer, vai uma grande distância.

Podemos e con­seguimos fazer a difer­ença na medida em que fiz­er­mos da nossa vida doação e a viver­mos com aut­en­ti­ci­dade. Aqui é que está o seg­redo: a prox­im­i­dade, o acol­hi­mento, a ale­gria. Tudo isto marca a difer­ença, prin­ci­pal­mente porque vive­mos num mundo indi­vid­u­al­ista e materialistas.

Como é que surgiu a decisão de ir para o Seminário?

A decisão foi na infân­cia. Foi um desafio lançado por uma reli­giosa. Mas depois cresci. E não voltei a pen­sar na ado­lescên­cia, altura em que entrei para o sem­i­nário menor em Ponta Del­gada. Entre­tanto, fechou e per­maneci fora até com­ple­tar o secundário. Foi uma altura tam­bém boa. Aí testei qual o cam­inho que mais me fazia feliz: a con­sti­tu­ição de uma família ou ser Padre. Namorei uns tem­pos, fiz aven­turas, aquilo que é próprio dessas idades. Mas, no final, a decisão foi par­tir para o seminário.

Quem ou quais foram as suas referências?

As min­has refer­ên­cias foram os meus páro­cos, aque­les com quem con­tac­tava de mais próximo.

Como é que vê o seu dia-​a-​dia como padre neste momento?

Às vezes pre­cisava que o dia tivesse 48h (risos). Vivo feliz, como já disse. Tem dias onde nos surgem muitos prob­le­mas, out­ros que não. Mas vejo os meus dias como um serviço que faço às pes­soas. E acred­ita: é muito gratificante.

Do que é que poderá ter mais saudades no futuro?

Não sei se terei saudades de alguma coisa. Neste momento não poderei respon­der a esta per­gunta pois não adi­v­inho o futuro…

Quais são as suas expeta­ti­vas para o futuro?

As min­has expeta­ti­vas: con­seguir fazer da minha vida entrega total aos out­ros; levar ale­gria e vida aos out­ros; fazê-​los sen­tir que são amados.

Esteve com algum receio de ser padre?

Às vezes, achamos que não somos sufi­cien­te­mente dig­nos dessa mis­são. Mas foi com expec­ta­tiva e entu­si­asmo que abra­cei esta mis­são que me foi confiada.

Como é a sua relação com os out­ros, conc­re­ta­mente com a família chegada?

Sou uma pes­soa que gosta de estar com os out­ros. Não sei viver de outra forma e não sei ser padre de outra forma. Procuro ser para cada um, um amigo. Sou uma pes­soa de afe­tos, de toque (fui cri­ado assim). Gosto que as pes­soas sin­tam que estou ali para elas e só para elas naquele momento.

Com a minha família… pois… a parte del­i­cada desta vida. Falamos reg­u­lar­mente. Mas man­te­mos, ape­sar da dis­tân­cia, a mesma intim­i­dade famil­iar de out­rora. O que é muito bom… saber que os tenho e que se pre­cisar estão lá para mim.

Lean­dro Custódio

Curso Téc­nico de Pro­dução Agrária/​Produção Animal

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Padre Eurico Décio Farias Jardim Caetano, nascido em São José, Ponta Delgada, a 27 de dezembro de 1982 (33 anos). É filho de José Maria Jardim Caetano e de Maria da Conceição Farias Branco Caetano.

Cresceu e viveu na Vila de Capelas, Ilha de São Miguel onde iniciou os seus estudos (1º e 2º ciclos). Nestes primeiros anos, iniciou um discernimento vocacional, ainda inconsciente, na sua infância, na Casa de Trabalho, com as Irmãs Servas da Sagrada Família, e depois como acólito. Mas, é a partir dos 12 anos que está no caminho de descoberta vocacional. Caminho esse que vem das brincadeiras de infância e que ao longo do seu amadurecimento tem altos e baixos. Esteve no seminário menor de Ponta Delgada dois anos, pois entretanto fechou o seminário, tendo prosseguido até ao 12º ano no Liceu Antero de Quental.

Terminados os estudos, Básico e Secundário, ingressou no Seminário Episcopal de Angra onde permaneceu pouco mais de um ano, tendo desistido por dúvidas vocacionais.

Neste tempo, o Senhor foi trabalhando… foi chamando até que era impossível não responder de novo. E nessa altura regressa à caminhada mas para outra diocese.

Fez os seus estudos no Instituto Superior de Teologia de Évora em conjunto com seminaristas de Évora, Beja e Algarve, bem como das dioceses de Mindelo e Cabo Verde.

Terminou os estudos em 2010 na Universidade Católica Portuguesa, defendendo a tese de Mestrado sob o tema “A Releitura Cristológica da Escritura segundo o Quarto Evangelho”.

Nesse mesmo ano regressa à Diocese de Angra onde é colocado como Professor de Educação Moral e Religiosa Católica na Escola Básica e Secundária do Nordeste e fica a auxiliar na Paróquia de Capelas nas atividades pastorais, em estreita colaboração com o Pároco. Findos dois anos, em diálogo com o Bispo Diocesano e vendo a necessidade de outras experiências pastorais, é colocado na Escola Básica de Rabo de Peixe e a auxiliar nas 5 Paróquias que compõem a cidade da Ribeira Grande, auxiliando, também, nas atividades de ouvidoria. É nesta altura, a 9 de agosto de 2014, na Matriz de Nossa Senhora da Estrela que é ordenado Diácono, paróquia onde exercia o seu ministério de acólito e onde desenvolvia atividades pastorais.

A 1 de setembro de 2014 foi colocado na Ilha das Flores, como auxiliar dos Párocos “in solidum” e também como docente de Educação Moral e Religiosa Católica na Escola Básica e Secundária das Flores.

Foi Ordenado Presbítero a 11 de abril de 2015 na Paróquia de Capelas e é Pároco “in solidum” na Ilha das Flores.

            O seu trabalho é o que esperava? Sim / Não Porquê?

            Sim. Escolhi uma vida de doação. Escolhi dar a minha vida em prol de um bem maior. De facto o mundo em que vivemos sofreu muitas alterações, o que implica para mim novos desafios. E eu gosto de desafios. Por isso sim… é o que eu esperava. Além de Padre, deste cuidado próximo com as pessoas, sou professor de E.M.R.C. o que me dá alegria pelo trabalho que posso desenvolver junto dos mais novos. Assim, consigo chegar a todos e estar para todos.

 

            Já duvidou alguma vez da sua vocação?

            Espero que não leve a mal, mas já sabe como eu sou!

            Já… de tal maneira que saí do seminário. Mas Deus chama sempre. Ele é persistente. Por vezes queremos sobrepor a nossa vontade à Dele e desviamo-nos do caminho. Há sempre dúvidas, incertezas e, às vezes, até inseguranças… Mas a vida é feita destes altos e baixos. O que importa é saber sair da dúvida, procurar a nossa felicidade. E eu sou feliz porque soube reconhecer que era, de facto, por aqui o meu caminho.

 

            Qual foi a fase mais complicada da sua vida?

            A fase mais complicada foi aquando da morte do meu pai. Altura em que achei que iria parar com os estudos para ajudar em casa. Mas minha mãe não permitiu e quis que todos estudássemos.

 

            Quais são as lembranças que guarda da sua vida estudantil?

            As amizades… Costumo dizer que o melhor tempo que temos é o de estudante, pois a nossa única preocupação é estudar. Depois vêm as complicações, as faturas para pagar… Mas tenho saudades do meu tempo de estudante… uma vida feliz e despreocupada.

 

            Quais são os seus gostos lúdicos?

            Prefiro a natureza, a leitura, cinema, música e estar com os amigos.

 

            O que mais detesta na vida?

            O que mais detesto na vida é violência, arrogância e prepotência.

 

            O que gosta de fazer nos seus tempos livres?  

            Descansar (risos). Gosto de passear na natureza quando o tempo permite… mas acima de tudo ler e ver um bom filme. Se coincide com tempo livre dos amigos, estar com eles é uma boa opção.

 

            Será que podia falar um pouco sobre o auxílio dos Párocos “in solidum”?

            Vim para as flores como Diácono. Ora um Diácono não faz tudo o que é próprio dos Padres. Por isso a minha função, além das aulas, era ajudar os Padres nas 10 Paróquias e 2 Curatos que lhes estavam confiados. Ajudava em tudo. Desde a catequese, acólitos, leitores, retiros, celebrações da Palavra, entre muitas outras coisas.

 

            Em relação à sua ordenação como presbítero, pode-me falar um pouco dela?

            A minha ordenação aconteceu depois de um tempo de formação e amadurecimento. Foi um momento forte. É, de facto, o momento por que esperamos ao longo de seis anos de curso. No momento em que nos prostramos no chão sentimos que nos desprendemos de tudo o que é deste mundo… sentimos que passamos a ser totalmente outros, sentimos que somos de Deus para uma causa de Amor. Foi um momento muito vivido, por mim, pela minha família e por muitos e muitas que se juntaram a mim nesse dia. Estava muito feliz. E essa felicidade ainda existe.

 

            Apela aos jovens para entrarem no sacerdócio?

            Procuro acima de tudo pedir-lhes que sejam jovens conscientes e comprometidos. Que saibam pautar a sua vida por valores; que descubram o verdadeiro sentido das suas vidas, o que os torna verdadeiramente felizes. Mas sim… às vezes lanço a rede, provoco. Pois é preciso desafiar, fazer pensar. No entanto, julgo que o maior apelo será o exemplo de vida. Foi assim comigo. Será assim com muitos.

 

            O que o motivou a seguir teologia?     

            A Teologia é o estudo das coisas acerca de Deus, da Igreja, da Religião. O curso de Teologia é o curso próprio de quem quer ser Padre. Por isso, não foi propriamente uma motivação, mas sim a necessidade na minha formação. É um curso longo que podemos dividir em filosofia e línguas – latim, grego e hebraico – (2 anos); teologia (3 anos) e pastoral (1 ano). Apesar desta divisão é um todo harmónico, pois precisamos da filosofia para entender a teologia que nos leva à prática (pastoral).

 

            Qual o seu impacto na sociedade? Considera que, por vezes, consegue “fazer a diferença”?

            Os Padres ainda são escutados. Mas do ouvir ao fazer, vai uma grande distância.

Podemos e conseguimos fazer a diferença na medida em que fizermos da nossa vida doação e a vivermos com autenticidade. Aqui é que está o segredo: a proximidade, o acolhimento, a alegria. Tudo isto marca a diferença, principalmente porque vivemos num mundo individualista e materialistas.

Como é que surgiu a decisão de ir para o Seminário?

            A decisão foi na infância. Foi um desafio lançado por uma religiosa. Mas depois cresci. E não voltei a pensar na adolescência, altura em que entrei para o seminário menor em Ponta Delgada. Entretanto, fechou e permaneci fora até completar o secundário. Foi uma altura também boa. Aí testei qual o caminho que mais me fazia feliz: a constituição de uma família ou ser Padre. Namorei uns tempos, fiz aventuras, aquilo que é próprio dessas idades. Mas, no final, a decisão foi partir para o seminário.

            Quem ou quais foram as suas referências?

            As minhas referências foram os meus párocos, aqueles com quem contactava de mais próximo.

            Como é que vê o seu dia-a-dia como padre neste momento?

            Às vezes precisava que o dia tivesse 48h (risos). Vivo feliz, como já disse. Tem dias onde nos surgem muitos problemas, outros que não. Mas vejo os meus dias como um serviço que faço às pessoas. E acredita: é muito gratificante.

            Do que é que poderá ter mais saudades no futuro?

            Não sei se terei saudades de alguma coisa. Neste momento não poderei responder a esta pergunta pois não adivinho o futuro…

            Quais são as suas expetativas para o futuro?

            As minhas expetativas: conseguir fazer da minha vida entrega total aos outros; levar alegria e vida aos outros; fazê-los sentir que são amados.

 

            Esteve com algum receio de ser padre?

            Às vezes, achamos que não somos suficientemente dignos dessa missão. Mas foi com expectativa e entusiasmo que abracei esta missão que me foi confiada.

 

            Como é a sua relação com os outros, concretamente com a família chegada?

            Sou uma pessoa que gosta de estar com os outros. Não sei viver de outra forma e não sei ser padre de outra forma. Procuro ser para cada um, um amigo. Sou uma pessoa de afetos, de toque (fui criado assim). Gosto que as pessoas sintam que estou ali para elas e só para elas naquele momento.

Com a minha família… pois… a parte delicada desta vida. Falamos regularmente. Mas mantemos, apesar da distância, a mesma intimidade familiar de outrora. O que é muito bom… saber que os tenho e que se precisar estão lá para mim.

Leandro Custódio

Curso Técnico de Produção Agrária/Produção Animal

 
 

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